NETRANK RJ

Metodologia

Como os números desta plataforma são produzidos — e o que eles não dizem.

Fonte

Todos os dados derivam dos conjuntos de dados abertos da Anatel referentes aos acessos do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), o serviço sob o qual a banda larga fixa é prestada no Brasil.

O painel público da Anatel é uma camada de visualização sobre um backend proprietário. O NETRANK RJ não raspa esse painel: consome microdados abertos, cuja estrutura é estável e cujo uso para reprocessamento é previsto.

Caminho de acesso. Os microdados podem chegar por dois caminhos, e o campo “Conjunto” abaixo indica qual foi usado. Quando a origem é a Base dos Dados, os números continuam sendo da Anatel, mas passam por uma camada de tratamento de terceiro — que não é de responsabilidade da Anatel nem desta plataforma. Declaramos isso explicitamente em vez de atribuir tudo diretamente à Agência.

Conjunto
Anatel — Agência Nacional de Telecomunicações
Arquivo processado
Acessos_Banda_Larga_Fixa_2026.csv
Período coberto
jan/2022 a jul/2026
Última atualização
16/09/2026, 03:23:51

Periodicidade e janela de análise

A Anatel publica os acessos em base mensal. Cada mês é uma “competência”, identificada no formato AAAA-MM. Reimportar um mês substitui apenas aquele mês, nunca apaga os anteriores.

A plataforma analisa uma janela móvel de até 50 meses, contada a partir da competência mais recente disponível — e não do mês corrente. A Anatel publica com defasagem de alguns meses; exigir o mês atual esvaziaria a base sem motivo.

A janela é sempre contínua. Se houver um mês ausente na fonte, a série começa depois dele, ainda que isso resulte em menos de 50 meses. Uma série menor e íntegra é preferível a uma longa com buraco: num gráfico, um mês faltando não aparece — a linha liga o mês anterior ao seguinte, e toda variação que atravessa a lacuna compara períodos que não se seguem. O número fica errado sem parecer errado.

O histórico completo não se perde: permanece integralmente na fonte da Anatel, que publica desde 2007, e pode ser reincorporado ampliando a janela de importação.

Recorte geográfico

O escopo é exclusivamente o Estado do Rio de Janeiro. O filtro por UF é aplicado linha a linha durante a leitura do arquivo, antes de qualquer agregação — registros de outras unidades da federação nunca entram no banco.

A unidade mínima de análise territorial é o município, identificado pelo código IBGE de 7 dígitos. Registros sem código IBGE válido do RJ são rejeitados e contabilizados no relatório de qualidade, em vez de terem o município adivinhado.

Normalização e agrupamento de empresas

A mesma prestadora aparece na fonte sob grafias diferentes ao longo dos anos (“FULANO TELECOM LTDA”, “Fulano Telecom”, “FULANO TELECOM ME”). Um ranking construído sobre a grafia bruta fatia uma única empresa em várias linhas — e fica simplesmente errado.

A identidade de cada provedor é resolvida nesta ordem de confiança:

  1. Correção manual registrada por um operador — sempre prevalece.
  2. Raiz do CNPJ (8 primeiros dígitos), que é o critério jurídico de identidade e agrupa matriz e filiais.
  3. Nome canônico: texto sem acentos, pontuação ou sufixos societários. Heurística de último recurso, usada apenas quando a fonte não traz CNPJ.

Não há fusão por similaridade textual aproximada. O risco de unir duas empresas distintas é maior que o benefício, e uma fusão errada contamina silenciosamente todo o ranking. Cada decisão registra sua origem e pode ser auditada.

Market share

Participação de um provedor no mercado de referência:

market share (%) = acessos do provedor
                 ────────────────────────  × 100
                 acessos totais do mercado

O mercado de referência é o Estado, nas páginas estaduais, e o município, nas páginas municipais. Provedores com zero acessos na competência não integram o mercado e são excluídos do cálculo.

Crescimento

Crescimento absoluto e percentual são grandezas diferentes e nunca aparecem na mesma ordenação:

crescimento absoluto   = acessos(atual) − acessos(anterior)

crescimento percentual = acessos(atual) − acessos(anterior)
                         ─────────────────────────────────  × 100
                              acessos(anterior)

Quando a base anterior é zero, o crescimento percentual é indefinido e exibido como “n/d”, não como um número enorme: um provedor que saiu de 0 para 500 acessos não cresceu infinito por cento — ele entrou no mercado, e é rotulado como entrante.

Concentração: CR1, CR3, CR5 e CR10

A razão de concentração CR-n é a soma das participações dos n maiores provedores do mercado. Quando o mercado tem menos de n provedores, o resultado tende a 100% — matematicamente correto, mas deve ser lido junto com o número de provedores. Um CR5 de 100% num município com 3 provedores não significa o mesmo que num município com 40.

Concentração: HHI

O Índice Herfindahl-Hirschman é a soma dos quadrados das participações percentuais de todos os participantes do mercado — não apenas dos maiores:

HHI = Σ (market share de cada provedor)²

escala: 0 (pulverizado) a 10.000 (monopólio)

O cálculo usa participações em precisão plena: arredondar antes de elevar ao quadrado introduz erro material.

O HHI é apresentado aqui como indicador estatístico de estrutura de mercado. O NETRANK RJ não converte o valor em conclusão jurídica, concorrencial ou regulatória, nem classifica mercados como “adequados” ou “inadequados”.

Ranking e empates

Provedores são ordenados por número de acessos em ordem decrescente. Empates recebem a mesma posição e a posição seguinte é pulada (1º, 2º, 2º, 4º), preservando a cardinalidade real do mercado. O desempate de exibição é determinístico, de modo que duas execuções sobre os mesmos dados produzem exatamente o mesmo ranking.

Na variação de posição, o sinal positivo significa subir no ranking: passar de 5º para 2º é registrado como +3.

Controle de qualidade

A cada importação, o pipeline verifica e registra alertas para:

  • variações mensais iguais ou superiores a 30% em provedores relevantes;
  • provedores que aparecem pela primeira vez;
  • provedores que deixam de constar na base;
  • taxa elevada de registros rejeitados;
  • rótulos de tecnologia ainda não mapeados;
  • empresas cuja identidade dependeu da heurística de nome.

Um alerta nunca altera ou remove o registro. A correção é decisão humana. Um pipeline que “conserta” sozinho uma variação anormal destrói justamente o sinal que esta plataforma existe para mostrar.

Limitações

  • Os dados refletem o que as prestadoras declaram à Anatel. Erros, atrasos ou revisões na declaração se propagam para cá.
  • A Anatel pode revisar competências já publicadas. Números podem mudar entre atualizações desta plataforma.
  • Acessos não equivalem a domicílios nem a pessoas atendidas: um mesmo endereço pode ter mais de um acesso, e um acesso pode servir várias pessoas.
  • O agrupamento por grupo econômico depende do que a fonte informa. Aquisições e fusões podem aparecer com defasagem.
  • Quando a fonte não traz CNPJ, a identidade do provedor depende de heurística de nome e está sujeita a revisão.
  • Quando os dados chegam pela Base dos Dados, há uma camada adicional de tratamento entre a Anatel e esta plataforma, e a competência mais recente pode demorar mais a aparecer do que na fonte original.
  • Os nomes dos municípios vêm da malha territorial do IBGE, não da base de acessos. A junção entre as duas é feita pelo código IBGE.
  • Provedores com atuação muito pequena podem entrar e sair da base entre competências sem que isso represente movimento real de mercado.

Independência

O NETRANK RJ é uma camada independente de análise sobre dados públicos. Não possui vínculo com a Anatel e não fala em nome da Agência. Os dados são oficiais; o tratamento, os recortes e as visualizações são de responsabilidade desta plataforma.